Noite/Crimes: Associação de Discotecas disponibiliza-se para ajudar Governo a acabar com problemas no Porto

 

Braga, 17 Jan (Lusa) - A Associação Nacional de Discotecas (AND) vai
 
defender hoje junto do Ministério da Administração Interna a criação
 
do programa "Noite Segura" para acabar com problemas como os da
 
noite no Porto, disse fonte daquele organismo.
Nos últimos meses registaram-se vários homicídios na área do Porto
 
relacionados com o submundo da noite, atingindo empresários e
 
seguranças de espaços de diversão nocturna.
 
O director-executivo da AND, Francisco Tadeu, disse à Lusa que, para
 
além dos problemas suscitados pelos acontecimentos recentes no
 
Porto, o sector "vê com agrado" a iniciativa do Governo de criar o
 
programa de acordo com uma sugestão que lhe havia sido feita nesse
 
sentido.
A AND defende a criação de uma réplica do programa "Escola Segura",
 
adaptado ao sector, como modo de reforçar a segurança dos seus
 
frequentadores, ideia que consta do Orçamento do Ministério da
 
Administração Interna para 2008.
 
Francisco Tadeu adiantou que a iniciativa passaria pela colocação de
 
viaturas com agentes policiais vocacionados para actuar junto das
 
discotecas, numa atitude pedagógica e preventiva, e que estivessem
 
disponíveis para ajudar em qualquer situação de conflito.
Uma delegação da ADN, composta por empresários de várias regiões, é
 
recebida hoje no MAI a seu pedido, para apresentar sugestões e
 
ideias sobre a regulação do sector.
Francisco Tadeu adiantou que a associação porá em cima da mesa "a
 
questão da tipificação dos estabelecimentos, para que os cafés não
 
funcionem como snack-bares, estes de restaurantes, os bares de
 
discotecas e assim sucessivamente".
"É preciso que os horários e a licença de cada estabelecimento seja
 
cumprida", assinalou.
Disse também que "as discotecas são o bode expiatório público da
 
desregulamentação que reina no sector da restauração em geral" e
 
classificou a situação de violência que tem caracterizado a "noite"
 
no Porto e em Lisboa como "um fenómeno passageiro, que, de resto,
 
nada tem a ver com a segurança no interior dos estabelecimentos".
A associação concorda com a fiscalização que começou a ser feita
 
pela ASAE (Autoridade para a Segurança Alimentar e Económica) e
 
pelas próprias autoridades policiais, mas considera que "usam
 
métodos desproporcionados, como o recurso a espingardas automáticas
 
G3 para entrar em locais pacíficos".
A ADN diz que os únicos estabelecimentos de restauração que estão
 
tipificados em diploma legal são os das discotecas e defende um
 
horário nacional para todos os operadores, já que - afirma - "não
 
faz sentido que num concelho se feche às 02:00, noutro às 04:00 e
 
noutro ao lado às 06:00 ou 07:00 da manhã".
Garante que a passagem da fiscalização dos Governos Civis para as
 
Câmaras Municipais "apenas trouxe confusão ao sector" e diz ser "um
 
absurdo que ninguém cumpra horários, o que obriga as discotecas a
 
começar a trabalhar apenas às 03:00 da manhã, hora a que chegam os
 
clientes".
 
LM.
Lusa/Fim