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SOL, GALINHAS E SIVICC

24 July 2009

Leio numa coluna +- humorística do SOL  um  texto que me é dedicado e fico a pensar em como é bom não viver nos tempos em que a única forma de desmentir alheiras destas era remeter ao Director uma cartinha pedindo rectificação e tendo a certeza de que a mesma seria ineficaz face à velha lei que diz que quem lê quem  mente não lê quem desmente.

Nesse quadro, muitas vezes se repetia a frase batida “deixa passar, ninguém vai ligar”, forma pobre de esconder a falta de meios para reagir.

Hoje não é assim. Não escreverei a cartinha, mas talvez ao director do SOL venha a chegar o que seguidamente direi (e chegará ao autor, de certeza e aos leitores deste blog).

Desde o título às ferroadas pseudo-justiceiras, tudo saíu mal ao autor do texto ” A JUSTIÇA FUNCIONA” (p. 15). O texto revela preguiça na leitura dos jornais, não atinando com factos públicos  e notórios.

Pelo caminho,arvora-se em juíz de vidas políticas  e zurze-me por alegado desvio neoliberal.Tendo todo o direito de zurzir quem lhe apeteça, é exigível que o faça com dados e não inventando factos inexistentes, como se apura analisando a peça.

A tese “gira”  é que eu (“ mais um político oriundo da ortodoxia do PCP deslumbrado com as delícias burguesas “- me revelaria agora “o menos estatista membro do Governo PS”.

O plumitivo não oferece dado algum sobre o deslumbramento em causa a não ser a colagem de “estórias” que conta mal e manifestamente não percebeu, pelo que o ranking que me atribui vale o mesmo que a confusão oferecida, ou seja, zero.Não fiz nenhuma das coisas que me daria a taça que inventou…

Cortemos o escrito às fatias:

1)“Não só teve a ideia de encarregar uma empresa privada de gerir os ficheiros eleitorais(provocando uma reacção de preocupação crítica por parte da Comissão de Protecção de Dados, a que ele respondeu com a voz alterada de quem normalmente não tem razão),

Nota: falso.O Contrato entre o Estado e a Critical Software (celebrado aliás pelo Instituto dos Registos e Notariado num momento em que eu,  SEAAI, não tinha competências em matéria eleitoral) visou criar uma aplicação informática, que é gerida pela Direcção Geral da Administração interna. É tão absurdo dizer que a empresa privada gere os ficheiros como seria dizer que pelo facto de o plumitivo usar um processador de texto (imaginemos que usa o Word da Microsoft)  é a  empresa de Bill Gates que anda a  “gerir” as suas crónicas para o SOL!.

Deixemos de lado a fina e arguta análise que pelo  meu tom de voz (alterado, diz) conclui  que o conteúdo do que digo só pode ser patranha (é uma nova disciplina cujas aplicações aguardo com interesse e já ando a googlar para entrar nesse cluster analítico).

2) …”como teve aquela iniciativa de adjudicar a uma empresa espanhola o novo sistema de radares de vigilância da costa portuguesa”. E reforça a ideia: “MAS há outro problema em relação à costa e às águas portuguesas: é que quem mais as viola, ao que parece, são embarcações espanholas. E os espanhóis funcionam com uma solidariedade nacionalista que nos é estranha e difícil de compreender. De maneira que pô-los a vigiar a nossa costa é como pôr a raposa a vigiar o galinheiro”.

Nota: grossa confusão entre ferramenta e uso da ferramenta (será a GNR a usar a ferramenta SIVICC, em cooperação com Espanha como já hoje ocorre!). Este  autor tende a achar que quem guia um Nissan entrega a condução aos japoneses, se um Renault, aos franceses,etc. Presumo que acha que se tivesse sido a THALES a vencer, as costas ficariam entregues à raposa gaulesa e se tivesse sido a GLOBALEDA tudo ficaria nas mãos de uma mescla de pátrias fazendo as galinhas (acho que está a aludir a 10 milhões de portugueses!) correr riscos de arrepiar.

SIVICC – A raposa a vigiar o galinheiro????!!! . Esta incrível  metáfora  galinácea é escrita em plena era da globalização, em que nem mesmo os mais ortodoxos herdeiros putativos do leninismo misturam raposas, SIVICC e aves de capoeira desta forma  grotesca…

3-  Posto o que o autor  conclui, com base nas suas 2 falsas premissas: “Ora, se há tarefas que parecem ser vocacionadas para o Estado, entre elas contam-se a gestão dos ficheiros eleitorais e a vigilância das costas nacionais… É assim em qualquer país.”

Nota: a conclusão tem o valor das premissa. E claro: não é assim em nenhum país civilizado do séc XXI.

4. O texto fecha com outra estrepitosa boutadee erro de facto: “Felizmente, o Tribunal Administrativo chumbou a ideia. A Justiça, por uma vez, funcionou”.

No preciso dia em que o SOL anunciava esta “vitória” da Justiça (supostamente impeditiva da horrorosa coisa) era assinado no Carmo o contrato entre o Estado e a empresa vencedora.

Foi a justiça derrotada? Não. Cumpriu-se o que a lei faculta.

Limito-me a registar que para tanta jactância era recomendável que o autor tivesse passado uns  minutos a estudar DIreito da Contratação Pública e   justiça administrativa.

Que saudades do genial Vilhena e do seu fino humor!

JM

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