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DEFESA FIRME DA VERDADE

13 July 2009

JMF seta para baixo

Escrevi ontem sobre os tiques da mediacracia.Os leitores do Público tiveram hoje a prova de uma das mais típicas características da dita, bem descrita nos compêndios e honestamente analisada por jornalistas que se preocupam com a deontologia.

JMF deu-se ao trabalho de redigir pessoalmente a seta supra fotografada. Porquê?

É sabido que os próceres  mais desatinados da mediacracia têm o complexo de Júpiter, pelo que se arrogam o direito de dardejar olimpicamente sobre os mortais que lhes bulam no manto, despejando raios e coriscos, anátemas e evocações ad terrorem.Com o que julgam fixar opinião inimpugnável, lavrar sentença irrecorrível e calar  o ímpio.

Sucede que no caso do SIGRE, o Público cumpriu de forma exemplar as regras de tratamento noticioso objectivo e bem documentado.Cumpriu mesmo as regras do contraditório, ouvindo o MAI e sintetizando com rigor a informação que de imediato prestei.

JMF não reage,pois, em defesa do seu jornal.

Só lendo o que twitou nas horas anteriores, é que é possível perceber  que provavelmente age por   solidariedade de classe, fazendo sua a honra supostamente ferida do autor da peça do DN que aqui critiquei.

A peça em causa é deontolgicamente inaceitável  ( está nos antípodas da peça do Público). Critiquei-a em “linguagem de caserna”?

Julgo que JMF é desprovido de experiência de casernas e usou sem propriedade uma imagem literária batida como forma de sugerir que eu teria violado qualquer regra de etiqueta ou ética.Ora quem violou todas essas regras foi o redactor com quem JMF se solidariza.

O que afirmei, repito: demonizar a contratação pelo Estado de serviços especializados para construir aplicações informáticas releva de um paradigma arcaico, digno do modelo albanês  a que    aludi com propriedade.  O e-gov colapsaria de imediato em Portugal se tal tese fosse adoptada.Sucede que não o é,  tanto por gente liberal, como socialista e comunista. Essencial é que a contratação seja transparente, o trabalho de qualidade e o controlo eficaz. É o que ocorre com o SIGRE.

Sendo JMF arauto do ultraliberalismo, a defesa que entendeu fazer (sob forma de seta com retrato do ímpio) , não podendo ser ideológica, é manifestamente corporativa, no sentido mais infeliz.

Tipicamente a  peça  de JMF não   usa  um só argumento. Limita-se a reeditar  três tristes tiques da mediacracia:

– “quando a mediacracia disser sobre ti ou o teu trabalho inverdades, está caladinho ou apanhas mais”:  JMF, que é famoso pelo trato soft que aplica a quem se comporta como se o Muro de Berlim não tivesse caído, acha que o passado (que anos a fio discuti publicamente no Flashback e na Quadratura) deve ser uma prisão cívica. Gorbachov e os milhões de homens e mulheres que procederam a uma histórica ruptura ideológica deviam ingressar num convento e renunciar à acção cívica. Se vítimas de injustiça, deviam humildemente renunciar a explicar-se.

É uma tese castrante e absurda, que JMF teria de aplicar a si mesmo, uma vez que não aterrou de helicóptero  no campo ideológico em que hoje se situa. É um tique  batido que tem levado a polémicas na blogosfera (um exemplo; outro exemplo)

– ” Mesmo que a inverdade seja gritante, a resposta – a haver- deve ser timorata e veneradora” –  Por isso, JMF acha que as explicações dadas e a refutação firme da tese albanesa é “linguagem autoritária” e “propagandística” (que horror!). Com o que amnistia à sucapa a linguagem caluniosa e desbragada com que o DN insulta o trabalho honesto do Estado e da CSW.

– “Os Júpiteres da mediacracia  decretam quem tem razão e quem não tem, do alto do seu  Olimpo e da sua  infalibilidade,  sem terem de fazer qualquer prova” –  Seguindo essa lei de bronze,  JMF finaliza o  epigrama com um fulminante “Ainda por cima não tem razão”.  E pronto, já está. É uma metodologia de execução sumária que aterra de medo muita gente, que se cala ou pensa duas vezes antes de despertar a possível fúria jupiteriana e ser verberado na praça pública com um peremptório “Não tem razão”.

Devo dizer que se alguma coisa aprendi antes e depois da queda do Muro de Berlim é que a única coisa de que devemos ter medo é do próprio medo.

A mediacracia deve ser combatida. Sem medo e com defesa firme da verdade.

JM

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