Portugal:o espaço que há para novos imigrantes
29 Maio 2009“Necessidades de mão-de-obra imigrante em Portugal – Evolução a curto prazo – 2009 e 2010″.
«O chamado “cenário-fortaleza”, que é “coerente com as previsões globais para evolução do emprego” formuladas por organismos como a União Europeia, Banco Mundial e Organização Internacional do Trabalho, aponta para fechar totalmente as portas. Mesmo em 2010, admitiria um contingente de apenas 920 oportunidades de emprego. O pressuposto é de “maior fluidez na mobilidade interna da mão-de-obra residente”. Ou seja, em tempos de crise os portugueses estarão mais predispostos a aceitar empregos tidos como “indesejáveis”.
No extremo oposto está o “cenário arco-íris”, que implicaria uma “rápida e robusta recuperação económica” e permitiria apontar para 7800 entradas em 2009 e 11 600 no próximo ano. Outro requisito seria o crescimento do emprego, arrumado à partida pelas mais recentes previsões: as do governo, actualizadas este mês, apontam para uma quebra de 1,2% no emprego total, este ano, enquanto as da Comissão Europeia agravam dois pontos percentuais este valor.
Mais próximo do número escolhido pelo governo é o “cenário emergente”, que pondera “de forma equilibrada os pressupostos” dos dois extremos anteriores. Aponta para um contingente de 3300 empregos (menos 500 que o fixado pelo Conselho de Ministros) e parte do princípio de que os imigrantes continuam a ter oportunidades em segmentos pouco procurados. Ou seja, “é previsível que a oferta se mantenha ao nível dos grupos profissionais correspondentes às mais baixas qualificações”».
Pergunta seguidamente: «O que explica tamanha reserva de investigadores liderados pelo insuspeito coordenador do Observatório da Imigração?»
O texto do Relatório,devidamente fundamentado, é uma excelente contribuição para a discussão séria da política de imigração em vigor na sequência da aprovação da nova Lei de Estrangeiros, que está apenas no segundo ano de aplicação, boa altura para reforçar as medidas tendentes à exploração das novidades a que abriu portas, tirando lições do fracasso da política de quotas do ciclo político PSD/PP.
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