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“SEGURANÇA ARMADA”

23 May 2009

Numa segunda leitura  do DN, noto, na secção “cartas”, dois parágrafos indignados subscritos por um cidadão que acreditou na manchete do DN de quarta-feira, a tal que anunciou ao mundo que o Governo tinha, inviamente e à sucapa, autorizado a segurança privada a usar shotguns.

seguranca-privada

Pergunta o leitor: “Porquê senhor Ministro da Administração Interna?Gosta de ir a funerais?Sim,porque vão morrer agentes de segurança privada vítimas desta sua decisão aberrante. Mas o mais grave é que infelizmente as potenciais vítimas mortais não são só aqueles que estarão armados.Os demais também vão passar a ser alvo de mais violência”.

A resposta é: esteja descansado que o Governo concorda consigo, não gosta de ir a funerais e está inocente de tal aberração!

Deontologicamente, é um caso interessante: quando por qualquer razão um jornal leva os seus leitores ao engano e vê corrigida publicamente  a informação veiculada (ficando, aliás, a sua gaffe  isolada no contexto dos media), que tratamento deve ser dado à correspondência que, com base no engano, vier acusar quem não decidiu, qualificando de “aberrante” uma “decisão” inexistente? Provando o poder (e a responsabilidade) da imprensa a  carta ecoa a manchete enganosa, que toma por boa, (reeditando,pois, e prolongando) a inverdade. Quem não leu o desmentido (publicado em lugar de baixa visibilidade e  mesmo aí “impugnado” por comentários colhidos por copy/paste junto de um lobby do sector) pode vir a julgar que “afinal” a decisão aberrante sempre existe, o que prolonga o equívoco, a confusão, a contaminação.

Como nunca foi  tomada a decisão aberrante  criticada pelo leitor, a publicação desta carta  pode mesmo  ser vista como uma forma canhestra de prolongar uma teimosa cruzada  em torno da inverdade de quarta-feira.Tendo começado grandiosamente  numa manchete,  a acusação foi reiterada, em frouxo, no dia seguinte  (apesar do rotundo desmentido e da óbvia falta de base fáctica), num rodapé de página par, para acabar (?)  retomada, ainda em mais frouxo, por epístola de um leitor enganado, que, no entanto, pode ajudar a enganar outros leitores desprevenidos, num ciclo gripal felizmente decrescente.

Uma boa questão para o Provedor do Leitor do DN, se estiver atento. Já agora, uma versão abreviada deste  post será enviado sob forma de carta ao DN.

José Magalhães

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