imagem de topo do blog A Nossa Opinião; MAI - Liberdade e Segurança; 'Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e ideias por qualquer meio de expressão'.(artigo 19.º da Declaração Universal dos Direitos Humanos). [ imagem produzida pelos Gráficos à Lapa para este blog do MAI, A Nossa Opinião ]

Main menu:

“SECOS E MOLHADOS” XX ANOS DEPOIS

21 April 2009

Passaram-se duas décadas sobre os “Secos & Molhados”, mas o que então aconteceu parece pertencer a um tempo muito mais distante, onde o que hoje seria tomado por aberração era moeda corrente no dia a dia policial e na vida política. Em 1989, vivi em directo, no Parlamento, a apologia da carga policial-antipolicial feita  a quente por  quem então  governava.

secos-e-molhados

wordle.org

Releio o que então disse no Plenário:

“…O Sr. Ministro da Administração Interna  repetiu a análise que atribui os acontecimentos da passada sexta-feira a uma cabala(…)e acusações que revelam que o Governo reitera, em primeiro lugar, o louvor ao Corpo de Intervenção pelas bárbaras agressões; em segundo lugar, insiste na recusa do diálogo para a legalização plena e as livres actividades do sindicato da PSP e, por outro lado, anuncia uma vaga repressiva sobre os elementos da comissão pró-sindical. Cria uma situação que é um beco sem saída  (DAR,26-04-1989,p.3317).

E a  “justificação”  da carga fratricida? Ingressou na penumbra onde se esconde a memória das recordações vergonhosas. Nem  é evocada pelos próprios, porque é uma múmia do passado. Felizmente, os que a fizeram acabaram por aceitar o sindicalismo policial que então demonizavam. Nenhuma das catástrofes que profetizavam aconteceu, volatilizaram-se as divergências que à data pareciam insuperáveis, se há oponentes da liberdade sindical são tão discretos que não se fazem notar.

Mas a  amnésia serve  mal a democracia.Há 20 anos  os  “Secos e molhados” faziam chorar homens crescidos, habituados à vida dura do combate ao crime, comoviam a opinião pública, isolavam o poder político.

Vinte anos depois as Forças e Serviços de Segurança   podem fazer no mesmo local  as  manifestações  legais  e pacíficas que quiserem e os seus representantes são recebidos com naturalidade no  Ministério  da Administração Interna.Quer concordem, quer discordem têm a certeza de quem está do outro lado da mesa usa argumentos   e não trata como desordem pública a expressão de opiniões sindicais.Quem disser que “muito pouco mudou” é porque pouco se lembra de como era o mundo em 1989 e e muito  se esqueceu do que, passo a passo, foi conquistando.

O funcionamento regular das instituições democráticas e a alternância partidária nos Governos abriu espaço para um consenso político muito abrangente sobre a importância da existência e funcionamento regular de associações e sindicatos nos sectores do Estado mais sensíveis (pecado mortal na ditadura!) É um consenso tão relevante que tem consagração constitucional, que importa não seja posta em causa.

Vinte anos depois,sei como as decisões são tomadas e participo nelas bem lembrado dos combates travados.Desde 2005, muitas horas de discussão livre  e aberta revelam que à porta do MAI está bem  o lema “Liberdade e Segurança”. É à luz dele que actuamos em todos os terrenos, por vezes mais secos de recursos do que gostaríamos, mas indisponíveis para nos encerrarmos pelo próprio pé em becos sem saída.

José Magalhães

how to transfer prescriptions