COMUNICAÇÕES E SEGURANÇA
24 Agosto 2007O Diário Económico (24-08-07,p. 12, com chamada à primeira página “Governo dá 41 milhões à PT sem concurso”) analisa, muitos dias depois da deliberação do Conselho de Ministros, as opções tomadas pelo Governo para assegurar um enorme salto qualitativo nas comunicações das forças e serviços de segurança.
Fiz sobre a matéria comentário na altura própria, mas julgo que vale a pena deixar aqui as respostas dadas em nome do MAI sobre os fundamentos da fórmula escolhida e os ganhos dela decorrentes. Tratando-se de um contrato, obviamente, o Governo não “dá” coisa alguma: paga e recebe. O procedimento escolhido, nos termos previstos legalmente, visa a salvaguarda de objectivos cuja lesão não é ressarcível com indemnizações, nem compensações. Os apagões, acidentes de gestão e vulnerabilidades de coordenação devem ser evitados segundo um princípio de precaução que não é compatível com “loteamentos” de serviços para congregar satisfações de todos os fornecedores existentes.
À análise da autora escapou um facto relevante: Os serviços adjudicados à PT são apenas aqueles quanto aos quais os imperativos de segurança e confidencialidade se colocam.Por isso mesmo o procedimento aberto aos vários operadores para contratar um serviço sem esse carácter - o acesso à Internet - teve como entidade seleccionada …a NOVIS.
Eis, então, as explicações dadas face às perguntas do DE:
“A especificidade das comunicações do Ministério da Administração Interna (MAI) é um dos argumentos usados pelo Governo para a adjudicação directa do projecto à PT. Rocha de Andrade, subsecretário de Estado do MAL está solidário com a comissão que liderou o processo e recusa a ideia de favoritismo, alegando que nenhum operador poderia garantir no conjunto, as mesmas condições PT.
Porque a adjudicação directa?
Um concurso público regras de publicidade que são pouco compatíveis com algumas das questões de que estamos aqui a falar, como por exemplo as comunicações das forças de segurança e de emergência do País. Há dados que circulam nesta rede que são extremamente sensíveis.
Esta excepção está prevista na Lei?
A excepção, que está fundamentada na lei, foi decidida pelo ex-ministro António Costa. Não podíamos divulgar o tipo de rede, a sua localização física, os pontos de encaminhamento, entre outros aspectos, que num concurso normal são conhecidos pelos concorrentes.
O Governo não podia pedir confidencialidade aos operadores?
Não. O procedimento tinha que ser sempre excepcional. Não há nenhum país do mundo em que comunicações de segurança e emergência sejam discutidas dessa forma. No MAI há questões de grande sensibilidade que não se compadecem com as regras gerais.
Porquê a adjudicação à PT? Não teme que acusem o Governo de favoritismo?
A escolha da PT não é uma questão política, é técnica. Estamos a falar de uma rede que vai ao país todo, que não é normalmente a vocação de qualquer operador, a não ser do incumbente.
Por que é que a proposta é vantajosa se não tem termo de comparação?
É espantosamente vantajosa em relação aos custos que temos actualmente!
Mas podiam aparecer outras mais vantajosas?
Em termos técnicos a escolha recaíu sobre a PT. Claro que havia um limite para as razões técnicas: ser economicamente vantajosa. Como também era, não havia razão nenhuma para não se escolher a PT.
Que resposta dão aos restantes operadores que esperavam um concurso?
Esta integração só é possível com um único operador. Não conheço em pormenor os contactos que a comissão técnica teve com os operadores no mercado, mas confio tecnicamente nos argumentos da decisão.
JM
![imagem de topo do blog A Nossa Opinião; MAI - Liberdade e Segurança; 'Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e ideias por qualquer meio de expressão'.(artigo 19.º da Declaração Universal dos Direitos Humanos). [ imagem produzida pelos Gráficos à Lapa para este blog do MAI, A Nossa Opinião ]](http://opiniao.mai-gov.info/wp-content/themes/mai-opiniao/img/topomaianossaopiniao.jpg)
