Conferência Europeia sobre a Segurança de Explosivos
17 Julho 20071.
Uma conferência oportuna
Tive o prazer de encerrar a 2ª Conferência Europeia sobre a Segurança de Explosivos e Detonadores, que levou a Braga dezenas de qualificados peritos.
Com base no relato dos debates julgo possível retirar quatro principais conclusões operacionais desta Conferência para a futura acção da União Europeia:
Como melhorar a segurança?
Obviamente, nem o governo português nem a presidência da União Europeia alienarão quaisquer responsabilidades pela segurança dos nossos cidadãos endossando-as às empresas. Os profissionais das diferentes polícias, autoridades e variadíssimos serviços competentes oriundos de toda a Europa mostram a seriedade do esforço e as importantíssimas capacidades de que dispõe o sector público no continente e a sua determinação em assumir plenamente o seu papel.
Não podemos nem queremos ter um polícia atrás de cada cidadão nem uma esquadra em cada fábrica, transportadora ou pedreira. Se quisermos – e queremos! – ter uma indústria de explosivos segura e próspera, então ela terá que cumprir a sua parte para assegurar a sua própria prosperidade através de regras de conduta que propiciem a segurança de toda a sociedade.
Um novo método de trabalho
Sublinhei, na altura, o carácter fortemente inovador da proposta. Trata-se de reconciliar a segurança do público e a competitividade das empresas, num quadro em que o descontrolo do sector agravaria insuportavelmente riscos que os nossos cidadãos não aceitam e não merecem. A grande aposta é conseguir estabelecer uma real parceria com as empresas e as respectivas federações sectoriais, usando uma lógica inovadora, que transcende as categorias tradicionais de “regulação”, “auto-regulação” e “desregulação”.
A lógica de “co-regulação” em que apostamos é uma tentativa de estabelecer conjuntamente regras eficazes – quer em termos de segurança, quer em termos económicos.
É uma solução isenta de riscos? Não é –tudo vai depender da nossa capacidade de interacção. Demonstra,contudo, uma percepção clara da necessidade de reconciliar segurança e competitividade e também uma forte crença no sentido de responsabilidade social das empresas.
Há meses considerei que se tal esforço fosse bem sucedido, este processo constituiria inevitavelmente uma referência para o futuro.
O repto que então lancei foi no sentido de um empenhamento pleno do sector privado na procura de reais soluções para os problemas da segurança dos explosivos. Indiquei que se Portugal partilhava a análise e a confiança da Comissão no sentido de responsabilidade dos actores económicos, Portugal partilharia igualmente o risco associado à metodologia escolhida. Queríamos encontrar, em conjunto com o sector privado, soluções que fossem para este viáveis e que proporcionassem até – sempre que possível – maior competitividade, nomeadamente através da inovação tecnológica. “Soluções” – note-se – e não “ilusões”.
Volvidos que são menos de trezentos dias desde essa 1ª Conferência,creio que todos estaremos de acordo que valeu a pena; que o risco assumido deu frutos e que demonstrámos que se pode avançar assim, de forma concreta e decidida em cooperação entre entidades públicas e indústria privada.
“Bio-prontidão”
Há que não perder tempo na prossecução da prioridade fixada pelos Chefes de Estado e de Governo na sequência dos ataques de 11 de Março de 2004: impedir o acesso por parte dos terroristas aos meios necessários à respectivas actividades.
É objectivo claro da PRE PT que conjuntamente com a adopção do Plano Europeu sobre a Melhoria da Segurança dos Explosivos o Conselho lance o trabalho da União com vista ao estabelecimento de um futuro Programa Europeu de Bio-Prontidão.
O trabalho preparatório deste Plano de Acção terá demorado cerca de três anos e meio, desde o início da preparação da Comunicação da Comissão até à adopção do mesmo, prevista para Novembro de 2007. Dada a experiência obtida, creio que é realista, embora sem dúvida ambicioso aspirar a completar um trabalho equivalente da União no domínio da “bio-prontidão” daqui até final de 2009 ou início de 2010. Isso sem prejuízo de outras iniciativas – que serão atempadamente anunciadas – no domínio da prevenção, preparação e resposta a ataques terroristas não convencionais, em particular nucleares, radiológicos, biológicos e químicos.
Os próximos passos
É a implementação desse Plano, e não a sua mera adopção, que constitui o nosso verdadeiro objectivo.
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