imagem de topo do blog A Nossa Opinião; MAI - Liberdade e Segurança; 'Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e ideias por qualquer meio de expressão'.(artigo 19.º da Declaração Universal dos Direitos Humanos). [ imagem produzida pelos Gráficos à Lapa para este blog do MAI, A Nossa Opinião ]

Main menu:

Os guardas do templo sagrado da opinião pública

8 June 2007

JOÃO DE ALMEIDA SANTOS escreve no Diário Económico (8-06-07) um texto interessante, que prolonga o debate que este blog tem suscitado. Os que temiam encontrar aqui o permanente zurzir de quem opina diversamente, nunca viram confirmados os receios. Alguns que tiveram aqui desmentidas “novidades” sem fundamento optaram por olhar para o lado, recusando qualquer troco. Mas o resultado atingido confirma que foi correcto abrir esta frente de debate, sem rigidez.

Almeida Santos escreve que viu confirmada, na leitura de Castells, a tese que aventou segundo a qual “as novas redes de ‘mass self-communication’ vêm, de algum modo, superar esse modelo vertical de comunicação e relativizar esse privilégio de ‘gatekeeping’ dos ‘media’ tradicionais, que lhes dava um poder total de agendamento da comunicação socializada Privilégio que pertencia às elites mediáticas e, indirectamente, às elites que com elas interagiam organicamente (políticas, económicas, culturais), influenciando o agendamento”.E acrescenta:

“Vejamos a questão de uma forma mais concreta Há tempos, tive ocasião de aqui comentar a reacção algo incomodada do “establishment” mediático em relação ao famoso blog “A nossa opinião”, do MAI de António Costa. O que eu queria sublinhar, nesse artigo, era precisamente o “efeito de ruptura” simbólico sobre esse tradicional privilégio de ‘gatekeeping’ do ‘establishment’ mediático. Ruptura tanto mais significativa quanto ela provinha, não de um indivíduo ou de um grupo social “subalterno”, mas do próprio âmbito do poder político. A partir desse momento simbólico, reforçado pelo estatuto do agente da ruptura, qualquer cidadão – do porteiro ao ministro – poderia aceder ao espaço público sem pedir autorização aos “guardiões” do templo sagrado da opinião pública Ora o que acabo de encontrar, agora, no ensaio de um dos mais famosos sociólogos da actualidade, é precisamente a confirmação dessa minha análise. Diz, ele, citando Williams e Delli Carpini: “estamos convencidos, cheios de um certo optimismo, que a erosão do ‘gatekeeping’ e a emergência de uma multiplicidade de eixos da informação oferecem novas oportunidades aos cidadãos que desejem desafiar o domínio das elites sobre as questões políticas”. Em boa verdade, do que se trata, de facto, é de erosão, uma vez que a função dos ‘media’ convencionais persistirá (embora redimensionada) ao lado das emergentes redes de ‘mass self-communication’: “por consequência”, diz Castells, “mais do que à separação entre ‘old’ e ‘new media’, ou à absorção dos segundos pelos primeiros, assistimos ao seu ‘networking”‘. E é verdade que já estamos a assistir a essa interessante interacção entre os media e a Net, onde cada um procura entrar nos domínios do outro, conservando a própria identidade. É um fenómeno a seguir com toda a atenção, e sem nervosismo, porque nele reside o futuro da democracia”.

Julgo que “essa interessante interacção entre os media e a Net” por vez gera absurdos, mas a tese essencial merece total aplauso. A verdade pode estar na Net, mas se a TV proclamar o oposto, mesmo que a prova esteja no YouTube ao alcance de quem a quiser ver e rever, durante muitas horas, dias (eternidades) muitos telespectadores sempre irão repetir o que viram no velho televisor, sem duvidar. Por isso importa tanto abrir portas ao florescimento de TV’s ‘concorrentes’ (locais, regionais, sectoriais). A boa batalha deve ser em todos os terrenos, como vem demonstrando Al Gore. Mesmo no cinema, o velho cinema, reinventado pela tecnologia digital. Concordo: nenhuma razão para nervosismo, salvo o evidenciado por quem perde o poder de “fazer a agenda”. Mas esse nervosismo é uma excelente coisa, que ajuda muito ao debate plural e minora o risco de agendas obscuras.

Em Bali,a caminho de Timor

JM

how to transfer prescriptions